Pesquisa e Tendências

FDA aprova estudo sobre uso de medicamento antienvelhecimento para tratar doença periodontal

Diferente de abordagens tradicionais, ensaio inédito avalia ação sobre mecanismos biológicos relacionados ao envelhecimento e à inflamação 

Com o avanço da idade, aumenta o risco de desenvolver várias condições de saúde, como certos tipos de câncer, doenças cardiovasculares, doença de Alzheimer e, no contexto da Odontologia, doença periodontal, conhecida como “periodontite” ou, mais popularmente, como gengivite. Na maioria das vezes, a medicina e a ciência usam abordagens individuais para tratar cada um desses problemas. Agora, algumas linhas de pesquisa tentam responder a outra possibilidade: o que aconteceria se olhássemos para o processo do envelhecimento como um todo?

O Food and Drug Administration (FDA), dos Estados Unidos, aprovou o RAPID Clinical Trial, que é o primeiro ensaio clínico que pretende avaliar o uso de um medicamento antienvelhecimento no tratamento da doença periodontal em pessoas com idade superior a 50 anos: a rapamicina. Estudos anteriores já demonstraram que a droga, também conhecida como sirolimo, favorece a longevidade e melhora a saúde e a imunidade em várias espécies. Agora, a ideia é avaliar sua eficácia no tratamento de inflamações na gengiva.

Originalmente, a rapamicina é usada para prevenir rejeição em transplantes. Ela age bloqueando o mTOR, uma proteína-chave que fica dentro das células e funciona como um sensor central de nutrientes, energia e sinais de crescimento. É o mTOR que “ajuda” a célula a decidir se deve crescer, se dividir ou economizar energia.

As perspectivas são promissoras, já que pesquisas anteriores, feitas com animais, sugeriram que a rapamicina pode melhorar a saúde da boca no envelhecimento, reduzindo inflamações, regenerando parte do osso periodontal e revertendo alterações da microbiota oral.

Com base nessas descobertas, os pesquisadores levantaram a hipótese de que, se a doença periodontal está associada ao envelhecimento biológico, um medicamento que atua nesse processo poderia melhorar os resultados do tratamento em adultos mais velhos, indo além da simples remoção de placa bacteriana e tártaro.

A relevância do tema é grande. Segundo o Centers for Disease Control and Prevention (CDC), dos Estados Unidos, mais de 70% dos adultos com mais de 65 anos sofrem de doença periodontal. Os custos associados à falta de tratamento chegam a cerca de US$ 154 bilhões por ano no país, considerando gastos diretos e impactos indiretos na saúde.

COMO O ESTUDO FUNCIONA?

O estudo é voltado para pessoas com 50 anos ou mais que tenham diagnóstico de doença periodontal. Os participantes receberão rapamicina em comprimidos ao longo de um período de 12 meses e farão entre 10 e 11 visitas ao centro de pesquisa para acompanhamento clínico e exames. Durante esse tempo, serão realizadas avaliações periódicas da gengiva e das estruturas de suporte dos dentes, além de limpezas profissionais e monitoramento de eventuais efeitos do medicamento.

O objetivo principal é verificar se a rapamicina é capaz de:

  • reduzir a inflamação gengival e a perda óssea, além de melhorar a resposta do organismo ao tratamento periodontal;
  • modificar a resposta imune e os processos associados ao envelhecimento, que podem contribuir para a progressão da doença.

A pesquisa também quer investigar, como objetivo secundário para fases futuras, a influência do medicamento em outros indicadores de saúde geral relacionados à idade.

Hoje, o tratamento da periodontite é feito basicamente com intervenções mecânicas, como raspagem e alisamento radicular. Os resultados do estudo podem ampliar as ferramentas terapêuticas, ao propor um caminho que age também sobre processos biológicos ligados ao envelhecimento, e não apenas sobre os sintomas visíveis da doença.

Se as hipóteses forem confirmadas, isso pode influenciar a forma como vemos e tratamos a doença periodontal em adultos mais velhos, com reflexos também na saúde geral e na qualidade de vida.

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA

  1. Canal Autismo. Brasil conhece, pela 1ª vez, seu número oficial de diagnóstico de autismo: 1 em 38, segundo IBGE [Internet]. 2025 mai 23. Disponível em: https://www.canalautismo.com.br/noticia/brasil-conhece-pela-1a-vez-seu- -numero-oficial-de-pessoas-com-diagnostico-de-autismo-1-em-38/.

PARA SABER MAIS:

Tang JW-Y, Hau CC-F, Tong WM, Watt RM, Yiu CK-Y, Shum KK-M, et al. Alterations of oral microbiota in young children with autism: unraveling potential biomarkers for early detection. J Dent. 2025;152:105486. doi: 10.1016/j.jdent.2024.105486.

Scroll to Top