

Estratégia para canais calcificados
A endodontia guiada em casos de obliteração pulpar
Nos últimos vinte anos, observou-se um notável avanço na endodontia, impulsionado pela adoção de tecnologias e procedimentos que têm apresentado resultados consistentes no acesso e na cura de lesões de origem endodôntica.
Traumas dentários podem desencadear um aumento na formação de dentina, resultando na obliteração pulpar (OP). Quando uma quantidade significativa de tecido mineralizado se deposita, o espaço pulpar pode deixar de ser visível nas radiografias, embora cortes histológicos ainda possam indicar a presença de tecido pulpar. Essa condição pode acarretar danos aos tecidos periodontais de suporte, tornando-os suscetíveis a infecções através dos túbulos dentinários.1
Evidências indicam que a necrose pulpar (NP) é comum em dentes lesionados por trauma das mais variadas categorias.2 Várias publicações argumentam que a OP está associada a um aumento na probabilidade de NP após trauma ou procedimentos terapêuticos, como ortodontia e restaurações.3 O acompanhamento clínico e radiográfico atento desses casos é imperativo, e o tratamento endodôntico deve ser indicado diante do surgimento de sintomas clínicos ou de alterações nos tecidos periapicais.4
Como resposta a esses desafios, surge a endodontia guiada (EG), baseada no planejamento digital da terapia endodôntica visando prevenir acidentes e outras complicações iatrogênicas.5 Atualmente, os procedimentos endodônticos podem ser realizados com orientação estática (SGE) ou dinâmica (DGE), assemelhando-se aos procedimentos em implantes.
O arco superior ou inferior é escaneado por meio de tomografia computadorizada de feixe cônico durante o SGE. Ao sobrepor as imagens no software, é possível criar um modelo para abranger o dente desejado e alguns dentes adjacentes. Esse modelo serve como guia para a perfuração precisa das paredes do canal calcificado. O canal radicular pode então ser acessado com maior precisão por meio do uso de brocas especiais. (Figuras 1, 2 e 3).



Após a remoção do tecido calcificado com o auxílio do cilindro metálico como guia, a terapia do canal radicular pode seguir seu curso normal. A incorporação de ferramentas digitais, além do planejamento endodôntico tradicional, é essencial para o campo da endodontia guiada, especialmente agora que esses métodos emergem como uma opção de tratamento promissora para a OP, uma questão prevalente na endodontia.
A endodontia guiada constitui uma área de estudo em constante desenvolvimento.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRAFIA:
1.Ribeiro D, Reis E, Marques JA, Falacho RI, Palma PJ. Guided endodontics: static vs. dynamic computer-aided techniques—a literature review. J Pers Med. 2022;12(9):1516. doi:10.3390/jpm12091516.
2.Kulinkovych-Levchuk K, Pecci-Lloret MP, Castelo-Baz P, Pecci-Lloret MR, Oñate-Sánchez RE. Guided endodontics: a literature review. Int J Environ Res Public Health. 2022;19(21):13900. doi:10.3390/ijerph192113900.
3.Todd R, Resnick S, Zicarelli T, Linenberg C, Donelson J, Boyd C. Templateguided endodontic access. J Am Dent Assoc. 2021;152(1):65-70. doi:10.1016/j.adaj.2020.07.025.
4.Vinagre A, Castanheira C, Messias A, Palma PJ, Ramos JC. Management of pulp canal obliteration: systematic review of case reports. Medicina (Kaunas). 2021;57(11):1237. doi:10.3390/medicina57111237.
5.Maia LM, Carvalho Machado V, Silva NRFA, Brito M Jr, Silveira RR, Moreira G Jr, et al. Case reports in maxillary posterior teeth by guided endodontic access. J Endod. 2019;45(2):214-8. doi:10.1016/j.joen.2018.11.008.

Dr. José Luiz Lage-Marques
Especialista, Mestre, Doutor e Livre-Docente em Endodontia pela Universidade de São Paulo (USP). Atualmente é coordenador dos cursos de especialização e mestrado da Faculdade São Leopoldo Mandic.